sexta-feira, 5 de abril de 2013

Um mundo para descobrir!


O diretor da revista Aquamare, publicada mensalmente no Reino dos Mares da Índia, o Tubarão Barbatana Azul, decidiu que a jornalista Baleia Sandy (conhecida como a Rainha do Mar), deveria entrevistar a belíssima Sereia Aquare, um ser que a todos intrigava por aquelas paragens, mas com quem ninguém ousava falar por ser tão altiva e com comportamentos que a todos intimidava.
Ora, como o Tubarão Barbatana Azul sabia que a sua jornalista preferida, a Baleia Sandy, era alguém com quem qualquer ser marinho simpatizava facilmente, propôs-lhe este desafio para dar a conhecer a todos aqueles que ali viviam este ser estranho, mas belo, a Sereia Aquare. Seria um risco, mas a Baleia Sandy nem pestanejou.
Dirigiu-se ao local mais frequentado por ela, o rochedo verde e macio, que tanto seduzia turistas, junto à orla costeira, numa bela tarde de calmaria em que o sol brilhava intensamente. Pediu-lhe um pouco de atenção para as questões que lhe iria colocar e, para que mais se envolvesse na conversa, disse-lhe que poderia ler essa entrevista no mês seguinte, na revista Aquamare, bem conhecida de todos quantos por ali habitavam e conviviam. A Sereia acedeu ao convite e sabia que podia confiar na Baleia Sandy.
Baleia Sandy – Muito boa tarde! Sou a Baleia Sandy, a Rainha do Mar. Eu e todos os seres que por aqui aparecem ou vivem, temos alguma curiosidade em saber algo sobre si. É um ser um pouco diferente de todos nós, mas tenho a certeza que não se vai importar que nós saibamos algo sobre si, não é verdade? Como se chama?
Sereia Aquare – Eu, eu.., eu… chamo-me Aquare! Estou, es… tou admirada com o que me diz. Até fiquei assustada! Julguei que os seres deste mar me ignorassem e até já tive momentos muito tristes. Senti-me rejeitada por vós e afinal parece que não é verdade…
Baleia Sandy – O que a fez vir para estes mares, estes rochedos e não outros lugares?
Sereia Aquare – Bem… eu vivia no Mar das Sete Estações, mas descobri que o meu pai, o Rei Búzio, andava a prender nas masmorras do seu castelo de anémonas os empregados que limpavam o mar. Quando soube disto fiquei muito desapontada com ele. Além disso, disseram-me que ele prendera a minha melhor amiga, a Flora, uma menina que sempre viveu no mar (precisou da minha ajuda para sobreviver). Por acaso, numa conversa com uns golfinhos, soube da existência deste novo paraíso marinho, o Mar Arco-Íris, o vosso mar. Decidi logo vir para cá viver e tentar esquecer o que de perverso fizera o meu pai. Foram dias muito dolorosos de adaptação. Parecia que todos vós fugíeis com medo de mim!
Baleia Sandy – É uma história triste!... Há quanto tempo está no Mar Arco-Íris?
Sereia Aquare – Se bem me lembro, acho que já lá vai um mês, mais ou menos, não acha?
Baleia Sandy – Sim, suponho que será isso. Quer dizer que já conhece o sabor das nossas águas, deu conta da harmonia que paira entre todos nós… O que acha?
Sereia Aquare – É realmente maravilhoso! Nunca na minha vida de sereia vi uma coisa assim! Este mar, quer dizer, o oceano das mil cores, é tão transparente e brilhante! Parece vidro cristalino que deixa passar os reflexos e as cores reais de todos os que aqui passam ou vivem. É algo que já não via há muito! Deve ser muito bem tratado, com toda a certeza!
Baleia Sandy – Limpamo-lo duas vezes ao dia! Todos os peixes têm esse cuidado na sua conservação. Até mesmo os marinheiros e pessoas que por aqui passam, em cruzeiros, nem se atrevem a lançar nada que o polua, pois a transparência e o brilho das águas encantam-nos de tal modo que todo o lixo que possivelmente tivessem intenções de lançar a este mar, guardam-no para o sítio adequado.
Sereia Aquare – Ora, então toda a gente o trata convenientemente e se preocupa com a manutenção destas caraterísticas. Nunca vi gente tão amável e zeladora do mar. Eu sou uma admiradora das águas marinhas e sempre me indignei e revoltei contra aqueles que só sabem provocar o mal e nunca respeitam este bem que a Natureza nos deu. Acho mesmo que o mar será o futuro do planeta Terra, mas quem é que liga às palavras de uma sereia?
Baleia Sandy – Por tudo o que me está a dizer, sente-se muito bem por estas paragens e ao pé de todos nós!?
Sereia Aquare – Claro que sim, este mar tem ótimas condições de vida e já não há muitos lugares marinhos onde uma simples sereia se sinta realmente feliz!
Baleia Sandy – A viagem que fez correu bem ou teve muitas dificuldades como os marinheiros portugueses há muitos e muitos anos?
Sereia Aquare – Correu muitíssimo bem e descobri paisagens muito bonitas e fantásticas. Vi uma estrela cadente pousada à minha frente à superfície da água, também vi o pôr do sol entre as montanhas e brilhava, brilhava… Assisti a corridas desenfreadas entre peixinhos nas suas brincadeiras do esconde-esconde… Vi, vi… coisas que nem consigo já descrever.
Baleia Sandy – Durante a viagem, de que é que mais gostou?
Sereia Aquare – Bem, gostar, gostar mesmo… Acho que adorei ter assistido ao nascimento de um golfinho azulinho, azulinho. Foi mesmo um acaso, mas que me fez pensar como é tão difícil ser mãe. Custou bastante ao golfinho-mãe. Eu apenas lhe pude dar coragem para enfrentar as dores. Acompanhei o processo todo. Foi lindo, lindo!
Baleia Sandy – Tem a certeza que vai viver em paz nestas paragens, que vai sentir-se feliz?
Sereia Aquare – Pelo que já vivi e presenciei, não tenho dúvidas. Espero ter mais com quem falar, com quem conviver e até ajudar todos os seres que aqui vivem. Com o meu canto vou tentar seduzi-los para verem que eu sou alguém interessante e o meu canto com a música dos corais vai ajudar a aproximarmo-nos. Tudo vai mudar e então este mar vai ser uma atracão para muitos seres e pessoas. Vou ter uma vida calma e de qualidade. Conto consigo para me ajudar nesta tarefa.
Baleia Sandy – Claro que pode contar comigo e com todos os que aqui vivem. Agora para terminar: o que gostaria de dizer a todos os que ainda não conhecem este lugar que tanto preservamos e de que tanto nos orgulhamos?
Sereia Aquare – Eu aconselho-os a visitar este lindo e paradisíaco lugar marinho ou mesmo (é uma sugestão) mudarem-se para cá. É um sonho estar aqui. Só vendo e sentindo…
Baleia Sandy – Então, seja bem-vinda e que continue a ser feliz junto de nós. Obrigada por todos os seus testemunhos. Até breve.
Sereia Aquare – Obrigada por este momento. Fiquei ainda mais feliz por saber que todos se preocupam comigo. Eu também me preocupo convosco.

Ana Filipa Duarte, Nº 2 – 6º 4

quarta-feira, 27 de março de 2013

Conetando Mundos - Um Projeto para a Cidadania Global

Ao longo de vários meses, os alunos das turmas 4 e 5 do 6º ano da E. B. 2, 3 de Lamego desenvolveram o Projeto Conetando Mundos a exemplo de anos anteriores. Este ano a temática abordou as questões da alimentação, do saber comer, da fome no mundo, produtos que consumimos e a sua história, como são produzidos, por que processos passam, quem os produz e as injustiças e desigualdades na sua comercialização. O tema global era "Receitas para um Mundo mais Justo".
Os objetivos desta edição do Conetando Mundos eram:
  1. Observar e conhecer a realidade do consumo local comparando-a com outras realidades do mundo para tomarmos consciência das desigualdades e darmo-nos conta de como o nosso consumo pode ter influência sobre a injustiça alimentar.
  2. Analisar as nossas atitudes e comportamentos na hora de consumirmos alimentos para chegar a um consumo responsável que respeite o meio ambiente, o desenvolvimento sustentável dos povos e relações comerciais justas.
  3. Refletir sobre as alternativas responsáveis de consumo, fomentando atitudes e ações para uma mudança nos nossos hábitos e no nosso meio familiar, e sensibilizando a nossa escola, bairro, cidade,…
  4.  
    Este projeto implica sempre a participação de alunos e professores em situações concretas na interação com outros alunos e professores de todo o mundo, utilizando as Tecnologias da Informação e da Comunicação, através do acesso a uma plataforma digital que é criada para o efeito por organismos internacionais, como é o caso da Oxfam, entre outras. Envolve pesquisas apoiadas em documentos dessa plataforma ou da Internet, trocas de materiais entre as equipas, reflexões conjuntas, leitura e escrita de textos ou resolução de situações problemáticas existentes no mundo atual. O produto final, na edição deste ano e para a faixa etária dos 10 aos 12 anos, foi a elaboração de um manifesto para um mundo mais justo nas questões alimentares. Aqui fica o que elaborámos e que foi conhecido pelos outros países participantes.
     

    MANIFESTO PARA A ALIMENTAÇÃO DE AGORA E DO FUTURO
                             E.B. 2, 3 de Lamego
     
    O consumo que realizamos e o seu impato
     
    Comemos várias vezes ao dia, é uma alimentação variada. O que consumimos deveria ser mais cultivado por nós e ser mais ecológico para que os produtos que se adicionam ou aplicam nos alimentos não contribuam para a destruição do planeta. Apesar de não desperdiçarmos muito, ainda deveríamos ter mais cuidado com o que não aproveitamos, quer para animais, quer dando a quem precisa. Quanto à origem do que compramos, achamos que deveríamos ter em atenção as etiquetas com mais frequência para defendermos os nossos produtos e os empregos dos portugueses.
    Compromissos para que o nosso consumo contribua para a justiça
    alimentar
     
    - Consumo mais abudante de vegetais e fruta.
    - Toda a nossa dieta deverá ser mais baseada em produtos naturais e não transformados.
    - Cada família ter a sua horta e pequeno pomar.
    - Consumir apenas o que é da região ou país.
    - Pagar o preço adequado a quem produz.

                                      Alunos do 6º 4 e 6º 5

terça-feira, 19 de março de 2013

Nós e os tubarões...


A propósito do mar e de todo o seu encanto e importância para o equilíbrio do nosso planeta, imaginámos uma entrevista um pouco curiosa. Ora leiam.

Mariana e Francisco – Boa tarde, senhores tubarões!

Tubarões – Boa tarde. O que vos traz por aqui?

Francisco – Nós vimos fazer uma entrevista a seres que muito bem conhecem o mar e decidimos fazê-la à vossa espécie.

Tubarões – Mas qual foi a razão dessa escolha?

Mariana – Nós já tínhamos ouvido falar de vós, principalmente devido à vossa sabedoria e por conhecerem muito bem o mundo marinho.

Tubarões – Então o que gostariam assim tanto de saber? Também agora estamos intrigados…

Francisco – Nós gostaríamos de saber como é o vosso mundo, o mar.

Tubarões – Sim, claro. Essa é uma boa questão. O mar é muito bonito, mas tem muitos perigos, como por exemplo nós que somos uma espécie muito perigosa. Há outros peixes e plantas, as próprias ondas e as marés também podem ser muito maus. O Tubarão Branco é o mais perigoso e nós pertencemos a essa família. Alimentamo-nos de peixes, mas não fazemos mal às pessoas, estejam tranquilos.

Mariana – Nós gostávamos de saber como é o fundo do mar. É algo que nos fascina.

Tubarões – No fundo do mar existem criaturas espantosas, mas também muito estranhas. A nossa casa fica mesmo lá no fundinho.

Francisco – Pois…, nós percebemos, mas qual será a criatura mais estranha?

Tubarões – Nós achamos que é o peixe-lua, porque tem uma forma circular, mas muito bem desenhada, uma perfeição.

Mariana – E a mais espantosa?

Tubarões – Para nós é a baleia. É enorme e a sua boca quase pode engolir um navio. Temos muito respeitinho.

Francisco – Vós falastes há pouco num tubarão muito perigoso.

Tubarões – Sim o Tubarão Branco.

Mariana – Podem dizer-nos se conhecem algum que já tenha sido muito perigoso para vós?

Tubarões – Claro. Várias vezes um deles, o maior, fez tudo para conseguir acabar com os nossos filhotes. Nós é que temos muitos seres marinhos que conseguem avisar-nos da sua aproximação e escondemo-nos a tempo. Temos muitos amigos aqui no mar, sem serem tubarões.

Francisco – Hoje não vamos perguntar-vos mais nada, pois de certeza que têm de ir à vossa vida e é bom que não nos esqueçamos de que o Tubarão Branco pode aparecer a todo o momento. No entanto, gostaríamos de contar convosco para uma próxima entrevista, mas sobre outros aspetos relacionados com o mar e a vida que dentro dele existe. E até gostávamos de conhecer histórias fantásticas que se contam entre vós. De certeza que têm muito para nos contar.

Mariana – É como nós, humanos. Também temos muitas histórias para vos contar. Podemos fazer trocas e assim acabamos por nos conhecer melhor.

Tubarões – Realmente nunca tínhamos pensado nisso. Nós temos fama de maus, mas nem todos são assim. Para nós, vocês passaram a ser amigos. Contem connosco.

 

                                    Mariana e Francisco – 6º 5

Um ano após o desastre de Spoboon


(Esta notícia não foi real, mas baseia-se em factos reais e nós, a partir do que vimos, ouvimos e lemos, recriámos outra para que todos nós possamos refletir sobre a importância do Mara e os perigos que o espreitam. Respeitemo-lo.)

Faz hoje um ano que o grande petroleiro Spoboon navegava pelos mares do oceano Pacífico quando deixou verter toneladas de litros de crude mesmo em pleno alto mar.
Foi uma catástrofe para todos os seres deste lugar longínquo, algures no oceano Pacífico. Milhões de peixinhos ainda recém-nascidos morreram asfixiados, não esquecendo todos os outros seres animais e vegetais que não conseguiram sobreviver a estas substâncias tóxicas que se libertavam constantemente à medida que a maré negra alastrava a outros espaços.
O Spoboon dirigia-se para a Austrália com um grande carregamento de crude que tinha sido adquirido nos países do Médio Oriente, onde iria ser transformado em petróleo e em outros produtos. O motivo deste acidente está num buraco que se abriu no casco do barco, ao roçar levemente nuns rochedos muito escondidos no mar e que faziam parte de um cabo. Quase ninguém deu conta dessa situação, pois não se sentiu qualquer estrondo. Só quando se começou a dar conta da água que entrava e as máquinas deixarem de funcionar é que o comandante do navio teve a real visão do que estava a acontecer e… já era tarde. O barco estava perdido e era necessário salvar a tripulação. Parecia impossível que com todas as precauções e condições do petroleiro pudesse acontecer algo deste género.
O oceano Pacífico ficou naquela zona muito maltratado e durante vários anos foi limpo e tratado com as técnicas mais sofisticadas para erradicar aquelas substâncias que tanta morte provocaram. Algumas espécies marinhas desapareceram mesmo.

 
           Ana Filipa, Carla, Sandra e Rui – 6º 4

sexta-feira, 8 de março de 2013

O rochedo encantado!


Lá no cimo do rio azul
um arco-íris passou.
era tamanho o raio de luz
que até os peixes assustou...

Mas o que mais brilhava
era a cor verde-esmeralda,
de onde apareceu uma fada
com um tom que escalda!

Apareceu no meio do rio
um pescador com o seu barco,
daí saltou uma sereia
toda envolta num arco.


Ao verem a fada pousar,
no seu lindo rochedo,
ninguém se podia aproximar,
pois lá no meio estava um arvoredo.

Os dois, com tanto medo,
nem a fada queriam ver!
Ela era tão bonita
nem palavras tinham
para a descrever!


Um rochedo, que medo!
Uma sereia, que beleza!
Um pescador, que trabalhador!
Uma fada, que encanto!
Um mar, uma ilha, peixinhos,
é tudo para cantar,
é tudo para amar...
tal como o noso eterno MAR!

                                                                              Mónica, Diana e Helena - 6º 4

sábado, 2 de março de 2013

Caros amigos:

Ao longo de várias semanas, alguns professores do Agrupamento de Escolas Latino Coelho, Lamego, frequentaram uma oficina de formação no âmbito da Educação Sexual em Meio Escolar. Foram sessões interessantíssimas, onde aprendemos, interagimos e realizámos atividades que, posteriormente, iremos desenvolver com os nossos alunos. Uma delas foi realizada em grupo e tratou-se da elaboração de um pequeno anúncio que os elementos do grupo deveriam escrever para se autoapresentarem e darem-se a conhecer aos outros, de modo a chamar a atenção para as suas pequenas, mas grandes virtudes. Ora leiam...


 Olá!
O nosso nome tem todo o sentido.
Somos um grupo heterogéneo, cheio de garra, criativo, que arregaça as mangas e lança-se à obra.
Não acreditam?
Esperem para ver!

Grupo: Nós


Olá!

Eu sou a Mimi. Tenho doze anos e estudo na Escola da Amizade. Aqui, tenho muitos amigos, mas pretendo muitos mais. Sou ternurenta, gosto de animais, de música e da Natureza. Danço hip-hop. O meu ídolo é a Rhianna. Espero resposta tua.

Passa aos teus amigos.

O grupo: Mimi Maria Patega Preta


Olá!

Sou uma linda flor perfumada, colorida, singela, frágil. Transporto no meu caule alguns espinhos…  Procuro amizade com uma abelhinha.

Grupo: Barco do Amor

 
Olá!

Somos um grupo trabalhador. Muito divertido.
Duas meninas e três meninos. Somos brancos, temos olhos azuis e formosos. Queremos conhecer três meninas e dois meninos que gostem das nossas caraterísticas: somos heterossexuais.

Grupo: Os Solidários Cá da Casa
 
 
Adélia Queijo, Isilda Afonso, Paula Montenegro e Paulo Taveira

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Uma entrevista especial...

Apresento-vos uma entrevista que alguns alunos da E. B. 2, 3 de Lamego realizaram a um tamanqueiro, para o projeto europeu etwinning. Fica aqui a entrevista em português, mas para a plataforma deste projeto, os alunos passaram-na para inglês e, assim, muitos alunos de países europeus vão ficar a conhecer pessoas interessantes da nossa região e do nosso país.

Somos alunas do 6º2 da escola EB 2,3 de Lamego e vamos entrevistar o Senhor Rogério da Silva Ribeiro, o último tamanqueiro de Magueija, no concelho de Lamego. 
 
Inês: Quantos anos tem?
Sr. Rogério: 68 anos.
Beatriz: Desde quando trabalha nesta profissão?
Sr. Rogério: Trabalho nesta profissão desde os 12 anos.
Inês: Como surgiu a ideia de ser tamanqueiro?
Sr. Rogério: O meu pai já era tamanqueiro e, um dia, quando saí da escola, comecei a trabalhar.
Beatriz: Qual é o seu local de trabalho?
Sr. Rogério: Trabalho em casa.
Inês: Quantas horas trabalha por dia?
Sr. Rogério: Trabalho 21 horas por dia, das 2:00h da manhã às 11:00h da noite.
Beatriz: Trabalha sozinho ou tem alguém que o ajude?
Sr. Rogério: Trabalho sozinho.
Inês: De que precisa, isto é, de que material necessita para fazer os tamancos?
Sr. Rogério: Necessito de madeira de amieiro, cabedal, brochas, zinco, ferragens e pneu.
Beatriz: Quanto tempo demora a fazer um par de tamancos?
Sr. Rogério: Demoro 2 horas.
Inês: Por onde começa e o que faz a seguir até acabar os tamancos?
Sr. Rogério: Começo por trabalhar a madeira, depois talho o cabedal, coloco o zinco e, por

fim, prego tudo com as brochas. Por baixo do tamanco prego o pneu ou as ferragens.
Beatriz: Por quanto vende cada par de tamancos?
Sr. Rogério: Vendo cada par por 25 ou 30€.
Inês: Faz um bom negócio?
Sr. Rogério: Sim, também faço algumas feiras.
Beatriz: O que ganha é suficiente para viver?
Sr. Rogério: É, mais ou menos, mas também planto algumas coisas.
Inês: Quantos anos ainda pensa trabalhar?
Sr. Rogério: Penso trabalhar enquanto puder, enquanto tiver saúde.
Beatriz: Conhece alguém que queira seguir esta profissão?
Sr. Rogério: Não, os que havia já foram embora e agora os jovens já não querem seguir esta profissão.
Beatriz e Inês: Muito obrigado pelo tempo que nos dispensou!
Antigamente, os  tamancos  eram  o   calçado mais utilizado. Baratos, quentes e resistentes, eram também usados por pessoas ricas, mas, sobretudo, por pessoas sem grandes possibilidades  monetárias. 
O Sr. Rogério, um artesão que trabalha por amor à arte, é um dos poucos tamanqueirosque ainda hoje exercem essa profissão no nosso país.
Alunos do 6º 2, sob a orientação da senhora Professora Fátima Moura