terça-feira, 20 de maio de 2014

A melhor carta 2014 foi para... Agrupamento de Escolas Latino Coelho


Estamos todos de parabéns!
O nosso colega João Nuno Santos, da turma B do 5º ano, foi o vencedor da edição 2014 dos CTT no concurso "A melhor carta 2014" cujo tema era "A importância da música no dia a dia", na faixa etária dos 9-11 anos.
Nada se consegue sem esforço e dedicação e o nosso colega é a prova disto. Vamos ler a carta que a nível nacional convenceu o júri soberano e justíssimo. Temos de nos orgulhar com os TALENTOS que o nosso Agrupamento vai revelando de forma muito subtil.
Fica aqui a carta que o João Nuno apresentou a concurso. Realmente é mesmo muito interessante e realça aquilo que a música nos pode proporcionar.
O prémio será entregue em outubro, aquando das comemorações do Dia dos CTT, em Lisboa.
Que orgulho!



                   Cidade da Música, 25 de dezembro de 2014

            Queridos músicos,

            Chamo-me João e sou violinista. Gosto muito de vos ouvir tocar, porque sempre sonhei com a música. Foi sempre uma das minhas paixões, porque esta linguagem entendida por todos não nasce do nada. Ela vem devagarinho através dos sonhos mais distantes e profundos e cresce com a paixão que nos acompanha todos os dias, tal como o nosso crescimento. Aliás, é ela que nos permite crescer.
            A música é parte do dia a dia, é ela que inspira as nossas composições, é ela que nos entretém no tempo livre, é ela que faz com que nós nos transformemos de forma harmoniosa.
            Sem ela não vivemos, sem ela não somos nada. A música consegue cativar-nos mesmo nos momentos de maior tristeza. Decidi ser violinista pela emoção de poder tocar e sentir a melodia, e o fascínio pelas figuras rítmicas, as claves, as dinâmicas… É tudo tão belo, mesmo não passando de coisas simples, normais, singelas e inocentes.
            Como qualquer músico, eu adoro tocar e sentir que as preocupações desaparecem para longe, para o infinito. Tudo se desvanece no ar.
            A música tem muita importância na nossa vida mesmo para quem não gosta. Ela entristece-nos e alegra-nos, ela deixa-nos zangados mas, ao mesmo tempo surpreende-nos. É algo que não se pode explicar.
            Quando se toca um instrumento, pela primeira vez, não se consegue parar. A pauta pode acabar, as acentuações, o andamento, mas só isso não chega para deter a alma da música, não chega para fazer com que o coração pare de bater, como uma bateria a marcar o ritmo ou uma gota de orvalho a cair numa folha e a ressoar na silenciosa floresta. E daí nasce a maior das orquestras, a orquestra da floresta! Os grilos a cricrilar, os pássaros a chilrear, os ratos a guinchar, seguidos dos patos de plumagens maravilhosas e luxuriantes a grasnar. Ah… é tudo tão bonito na música!
            Se não fosse músico que seria de mim? Talvez no futuro necessite dela ou será ela que necessitará de mim? Sim porque nós, músicos, somos como peças de um puzzle, há umas que se vão gastando e sendo substituídas por outras. Todos nós merecemos estar nesse puzzle, nesse puzzle que parece uma miragem mesmo sem se ver. É exatamente como uma paisagem cheia de árvores e plantas de todos os tipos e feitios ou semelhante a uma serra cheia de montes com milhares de floquinhos de neve à volta.
            Lá no fundo todos temos uma paixão por música, por todos os tipos de música, do jazz ao rock, do clássico ao country. Todos gostamos de ouvir seja o que for porque todos conseguimos perceber o que ela nos transmite mesmo sendo estrangeira ou não, porque a música é uma linguagem universal, entende-se até noutros planetas, não só os desta galáxia como também os das mais longínquas e escuras de todo o universo (ou, quem sabe, talvez de outros sítios que só existam na nossa memória ou imaginação).
            Quando se consegue imaginar milhares de imagens de mil cores, paz no mundo ou até a amizade e o amor, consegue-se escrever uma canção mesmo não sabendo nada sobre a música, pois ela é como um caminho que, depois de percorrido, nos leva a um sítio desconhecido e desabitado. A partir daí, seguimos o nosso destino e construímos a nossa vida como se não houvesse amanhã.
            O mundo da música é um mundo que quase não se vê, é um mundo encantado onde tudo é harmonioso e bonito, onde as notas se cumprimentam sempre que se veem, onde as dinâmicas não discutem sobre qual é a melhor ou onde as claves se elogiam umas às outras. É um mundo que habita em nós.
            Uma simples nota origina uma série de compassos, origina as maiores obras já ouvidas. Origina milhões e milhões de notas que juntas formam a música de hoje em dia porque essas notas somos nós, nós somos a música.
Enfim, não devemos esquecer que temos de construir a sinfonia da vida! Continuemos a pôr em prática o que aprendemos com a música e com os músicos. Nunca se cansem de tocar, trautear, de compor e de … alegrar os outros!
Espero que a vossa caminhada musical nunca tenha fim para bem de todos nós. Viva a música e quem consegue com ela alegrar corações por este mundo tão esquecido da palavra “concerto” (não sei se me entendem!).

Até breve, caros amigos.
Cordiais saudações e muita inspiração!

                                               João Nuno Santos
E. B. 2, 3 de Lamego - 5º B
Agrupamento de Escolas Latino Coelho, Lamego
Outra carta que foi enviada para o mesmo concurso...
Ora leiam!



Vila do Alecrim, 1 de outubro de 2013

Querida Eva,

Como estão as coisas aí em Inglaterra? Espero que estejas a gostar. Hoje é o dia mundial da música, e decidi falar-te sobre este assunto por causa da aula de Educação Musical que acabei de ter. Além disso, o que tenho para te dizer vai alegrar-te aí por essas terras britânicas e assim esqueceres as saudades… O que interessa é que o trabalho esteja a correr bem e a saúde não te falte.
 Pode não parecer mas a música tem muita influência no dia a dia de todas as pessoas, em qualquer parte do mundo. Seja no carro, no trabalho, nos transportes públicos… Em qualquer lugar a música existe. Desde muito pequenos todos nós somos habituados a ouvir música, uns mais, outros menos, mas quase todos sofremos influências musicais mesmo quando ainda estamos na barriga das nossas mães. Eu, por exemplo, conta a minha mãe, que me comprou um carrocel de música e colocava-o junto da sua barriga. Ainda hoje aquela música me acalma e me faz sentir bem, ou seja, parece que me lembro de a ouvir sempre. Como podes ver, a música e as nossas preferências musicais podem começar desde muito cedo.
Na História da Humanidade isto também acontece. Não existe uma data bem definida para o aparecimento da música mas diz-se que os homens pré-históricos já a entoavam, emitindo os primeiros sons e criando os primeiros instrumentos. Como vês, a música existe desde que o Homem existe.
 A música pode ser portadora de várias emoções e pode também exprimir os nossos sentimentos. Se ouvirmos uma música romântica, pode significar que estamos apaixonados; no entanto, se ouvirmos uma música mais alegre parece que essa alegria nos contagia. Se a música for triste, o mesmo acontece. Também ouvimos música de acordo com o estado de espírito em que nesse momento nos encontramos. A música faz parte de muitos momentos da nossa vida e algumas músicas marcam-nos como recordação de alguns momentos.
Existem músicas de todos os estilos e vários ritmos em todo o mundo, e quase todos os países têm estilos de músicas diferentes que os caraterizam. Por exemplo: a música pop surgiu nos anos 60 e pode apresentar ritmos melódicos e por vezes ritmos ‘acelerados’ (alguns deles mais famosos - Shakira, Back Street Boys, Britney Spears…). Outro estilo é o fado, ritmo tipicamente português (a Marisa, Amália Rodrigues e Ana Moura são  bons exemplos de fadistas). O hip hop, apareceu nos anos 70, um estilo de música americana que nasceu com o objetivo de mostrar ao mundo o quotidiano de classes menos favorecidas e seus conflitos pessoais. Grandes nomes do hip hop como Boss, Ac e Da Weasel.O rock and roll surgiu na década de 50 nos Estados Unidos, com um ritmo acelerado favorecendo a dança (os mais conhecidos Elvis Presley e Os Beatles). Outros estilos de música que todos nós apreciamos: música popular brasileira, o jazz, o tango, a música clássica, o reggae, a ópera, a eletrónica… É um mar de notas musicais e de melodias infindável.
Como vês, a música é muito variada, existem vários estilos de música e pessoas que vivem dela, já sabias disto tudo, não é verdade? No entanto, eu gostaria de te dizer o seguinte. Apesar de ainda ser muito jovem, aprecio imenso a música clássica. Ouvir Mozart, Chopin e outros compositores que nos deixaram belíssimas obras-primas, encanta-me. E sabes que quando ouço estas melodias, fico momentos a recordar os nossos passeios pela praia, pela montanha, pelo campo, nas nossas férias de verão? Ah, que saudades! É esta a melhor forma que consegui de me lembrar de ti e poder encarar melhor a tua ausência. Que bom que é ter a música clássica para me ajudar a completar este vazio! Já experimentaste?
A propósito: a Ana Moura tem um fado apropriado à nossa amizade e amor de irmãs. Sugiro que o escutes com muita atenção. O título é “Desfado”, mas toda a letra anda à volta do tema da saudade. É belíssimo e a voz desta fadista, bem atual e apreciada em todo o mundo, dá-lhe uma vida tal que não consigo resisitir em te aconselhar a ouvi-la. Espero que gostes e que quando a ouvires te lembres de mim. É mesmo uma boa forma de matar saudades…
Espero que tenhas gostado de tudo o que aqui te escrevi sobre a música.
Como tua irmã, e sabendo que por estares longe gostas de receber novidades da família, hoje apenas decidi desabafar. Sabe bem recordar…
Muitos beijinhos de todos nós, mas um grande, muito grande mesmo da tua irmã,
 
Diana Gouveia Pinheiro 
Agrupamento de Escolas Latino Coelho, Lamego


   Alguns alunos do 5º ano do Agrupamento de Escolas Latino Coelho participaram no concurso "A melhor carta 2014", promovido pelos CTT. Este ano o tema era sobre "A importância da música na nossa vida".
Aqui fica uma delas.                                                                    


                                         Vila Musical, 22 de Janeiro de 2014

Cara Miley Cyrus,

Escrevo-te esta carta porque achei que eras a pessoa indicada para falar sobre a importância da música. Tu és uma das minhas cantoras favoritas, tudo o que cantas me inspira…
A música é uma melodia composta por várias regras, é tocada por vários instrumentos, músicos, cantores… Os cantores são muito importantes numa banda, os músicos e os instrumentos são a única coisa que não pode faltar numa banda. Há vários tipos de músicas dos quais vou fazer referência apenas a alguns.
A ópera é uma música muito dramática, os cantores têm a voz muito afinada, uma vez que este tipo de música exige muito da voz, e só se consegue ser um autêntico tenor após muita dedicação, tempo, esforço e abnegação. É algo que tem de ser muito exercitado e pede muito às nossas cordas vocais.
O rock é uma música muito mexida e barulhenta. Os nossos ouvidos podem mesmo ser afetados por estes ritmos alucinantes. Claro que repeito quem gosta de a ouvir e sentir, mas há que ter cuidado.
Outros tipos de música existem com outras caraterísticas muito diferentes ou semelhantes. De qualquer maneira, a música alegra-nos quando estamos tristes, faz-nos chorar quando nos comove, faz-nos rir quando é engraçada… e podia estar aqui o tempo todo a dizer o que a música nos pode fazer.
Contudo, aquela que é mais importante, mesmo a mais importante é a que é passada nos hospitais e nos institutos de oncologia. Aí, onde encontramos pessoas solidárias que tudo fazem por quem está a tratar-se, um pouco de música é ouro sobre azul! Cantam às pessoas doentes, levantando o seu ânimo, esses enfermos acompanham-nos, trauteiam ou simplesmente ouvem, o que as leva a esquecer um pouco os seus males.
Aquilo que me entusiasma mais é a boa disposição das pessoas, que tiram parte do seu precioso tempo para irem ao hospital e ao IPO cantar, divertir e mudar o humor aos doentes. A propósito, vou contar-te uma história sobre um doente que era um pouco diferente dos outros: era um doente especial.
Era uma vez um menino chamado Kevin que era muito extrovertido, digamos que tinha energia a mais. Ora, um dia, o Kevin foi parar ao hospital.
Às três horas em ponto, saiu da sua casa para ir para a catequese. No caminho tinha que passar por uma passadeira.
Quando estava a iniciar a passagem, foi atropelado, porque apareceu um carro lançado de um dos lados, cujo condutor ia a falar ao telemóvel, distraído e sem cumprir as regras da estrada. Foi parar ao hospital.
Lá os médicos perguntaram-lhe o que sentia. Fizeram-lhe análises e diagnosticaram-lhe algo de grave no coração (coisa que ninguém suspeitava).
Felizmente a lesão tinha solução e imediatamente informaram a família e o Kevin, claro. Quando ficou a saber que tinha um problema grave, deixou de falar e de querer tomar os medicamentos, por raiva. O hospital convidou muitas pessoas para o distraírem e o fazerem falar e dialogar. Nada estava a resultar.
Um dia, o hospital decidiu convidar um cantor muito famoso e, por acaso, era o cantor favorito do Kevin. Ao vê-lo e ao ouvi-lo, parece que outro Kevin renasceu. Pediu-lhe que cantasse uma música e o cantor fez-lhe a vontade.
  No final, Kevin era outra pessoa: falava com todos os doentes, com os médicos e enfermeiros, ria-se, divertia-se a contar histórias e até passou a colaborar com os médicos em tudo o que eles queriam que ele fizesse para que o seu problema de saúde fosse ultrapassado. E tudo se resolveu. Passou ele a prestar voluntariado nesse hospital, cantando e entoando canções sempre acompanhado da sua guitarra (acabou por ir aprender a tocar este instrumento de propósito para alegrar quem precisa).
Que pensas desta história real que te contei? Quando gravares um novo álbum, não te esqueças de uma musiquinha para todos aqueles que sofrem e a quem essa música vai ser um remédio… Pensa nesta sugestão!
Fico a aguardar notícias tuas. Canta, canta e encanta…
Agradeço a tua atenção.

Uma tua fã,    
 Soraia   

E. B. 2, 3 de Lamego
Agrupamento de Escolas Latino Coelho, Lamego



terça-feira, 13 de maio de 2014

Um sonhador!




O Pedro era um menino estranho. Na escola parecia estar sempre num outro mundo, sempre distraído, sempre perdido nos seus pensamentos. Os professores, muito preocupados, chamavam regularmente os pais de Pedro à escola, na esperança de que eles pudessem resolver aquela situação, mas a verdade é que os pais do Pedro também não sabiam o que fazer.
 O Pedro era um menino estranho. Acima de tudo, o Pedro era um menino triste e sem vontade de viver.
Certa noite, estava o Pedro a preparar-se para dormir quando, de repente, lhe apareceu à frente um anão de olhos azuis e cabelo castanho muito encaracolado. O Pedro, muito surpreendido, perguntou:
 - Quem és tu?
 - Olá, Pedro! Eu sou o António. Sou o teu novo amigo!
 - Tu não és meu amigo! - disse o Pedro, exaltado.
 - Claro que sou! E estou aqui para te dar um conselho. Não te deixes vencer pela tristeza que tens no teu coração. Ainda vais viver experiências incríveis! Essas experiências vão fazer com que dês mais valor à tua vida, porque uma vida não é dada por acaso. Uma vida é dada só a quem merece! - disse isto o anão e logo desapareceu.
O Pedro ficou confuso. Teria sonhado? Teria aquilo acontecido de verdade? Cansado, adormeceu e não mais pensou naquilo.
Nos dias, meses, anos que se seguiram tudo continuou igual ao que sempre fora. O Pedro continuava a ser um menino estranho e, acima de tudo, triste. Fazia surf, praticava futebol, saía com os amigos mas ainda não gostava de viver.
Até que um dia, conheceu uma menina muito bonita chamada Vitória. Ela tinha olhos azuis e cabelo louro. Era magra, de estatura média. Bonita por fora e também por dentro, pois tinha um grande coração.
Foi amor à primeira vista.
Um dia, quando se iam finalmente beijar, o Pedro lembrou-se das palavras ditas pelo anão, que nem sabia se existia de verdade: “ Uma vida não é dada por acaso, ela só é dada a quem merece!”
O Pedro sentiu-se feliz pela primeira vez e a sua vida nunca mais foi a mesma. Ele tinha agora uma vontade enorme de viver e aproveitar ao máximo a vida que lhe tinha sido dada.
 Nem sempre percebemos o que nos é dito no momento em que é dito, mas tudo na vida tem um sentido.

Rodrigo Gabriel – 5º B
Agrupamento de Escolas Latino Coelho, Lamego